Nikolas Ferreira será um dia presidente da República?
Após caminhar de Minas Gerais a Brasília, o deputado federal Nikolas Ferreira foi alçado à liderança da direita e futuro presidente da República. Três observações: 1) Enquanto Nikolas bolsonarizar o seu discurso, ele não será líder da direita e concorrerá com os filhos de Bolsonaro no universo da direita bolsonarizada; 2) O radicalismo da direita bolsonarizada serve para eleger deputados e vereadores; 3) O centro é o melhor caminho para Nikolas Ferreira vir a ser um líder da direita democrática.
Desde o ano passado, enquanto os míopes davam como certo a candidatura de Tarcísio de Freitas, eu afirmava categoricamente que o governador de São Paulo não seria candidato à presidência da República e que a estratégia ótima de Jair Bolsonaro era ter Michele Bolsonaro ou Flávio Bolsonaro como candidato a presidente da República. O ex-presidente escolheu Flávio e, por enquanto, ele segue candidato. Se ocorrer algum recuo, será mais um erro de Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro é um candidato competitivo e deve disputar o turno final contra o presidente Lula.
O surgimento do bolsonarismo reforçou os discursos radicais de vários políticos, dentre os quais, o de Jair Bolsonaro. Numa conjuntura propícia, construída pela exagerada Operação Lava Jato, Jair Bolsonaro chegou à presidência da República em 2018. Neste ano, o discurso radical, antissistema, tinha aderência em relevante parcela do eleitorado, assim como a rejeição ao petismo e ao lulismo. O radicalismo bolsonarista contra o “sistema” possibilitou a vitória de Jair Bolsonaro. Todavia, apesar da grande votação de Jair Bolsonaro em 2022, decorrente, inclusive, do antilulismo e do antipetismo, o radicalismo não foi suficiente para manter o bolsonarismo no poder. O lulismo se aproximou do centro e venceu a eleição.
É importante ressaltar que Lula perdeu três eleições seguidas quando insistiu em ser radical de esquerda. Quando rumou para o centro, e abandou a esquerda extremista, Lula venceu três eleições para presidente da República e ainda contribuiu fortemente para o sucesso eleitoral de Dilma Rousseff por duas vezes. Após 2002, Lula não foi um candidato antissistema. Não foi radical. Lula sempre caminhou da esquerda para o centro, sem perder de vista alianças importantes com o centrão. Portanto, para vencer eleições presidenciais, caminhar para o centro é a melhor estratégia para conquistar à presidência da República.
São vários políticos radicais que conseguem ser deputados e vereadores. Neste caso, o discurso radical conquista parcela diminuta do eleitorado, mas suficiente para levar “radicais” ao Parlamento. Observem o crescimento do PSL em 2018, quando Jair Bolsonaro era o candidato do partido à presidência da República. Vejam também o crescimento da bancada federal do PL em 2022, quando Jair Bolsonaro foi candidato à reeleição por essa agremiação partidária. Portanto, radicalismo é bom para conquistar cadeiras no Poder Legislativo.
Nikolas Ferreira domina as redes sociais. Sabe ser provocativo com o PT. Todavia, segue com um discurso radical, recheado de identitarismo de direita, sem proposta, e insiste em está atrelado ao bolsonarismo. O identitarismo de esquerda e de direita afasta eleitores de aspirantes a cargos executivos. O identitarismo serve para eleger deputados e vereadores. Nikolas precisa, para ser presidente da República, se contrapor ao discurso lulista. E não será falando em segurança pública, como, equivocadamente, faz o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Nikolas é hoje aliado do bolsonarismo, mas quando ele decidir ser candidato a presidente, é possível que venha a ser concorrente. Esse é mais um motivo para Nikolas Ferreira rumar para o centro.