Por que a eleição se resume a Lula e a Bolsonaro?

Por que a eleição se resume a Lula e a Bolsonaro?

Pesquisas qualitativas da Cenário Inteligência têm feito duas perguntas fundamentais em variadas cidades: 1) Você se considera lulista, bolsonarista ou nenhum? Por quê?2) Você prefere Lula, Bolsonaro ou nenhum à frente da presidência da República? Por quê? Com raras exceções, inclusive em pesquisas para governos estaduais, a categoria nenhum predomina.

Por outro lado, as pesquisas de intenções de votos divulgadas nacionalmente, trazem o presidente Lula e Flávio Bolsonaro liderando a corrida eleitoral. Se os eleitores, majoritariamente, desejam nenhum à frente da presidência da República e nem são lulistas ou bolsonaristas, por que a eleição segue polarizada entre Lula e Bolsonaro? Busco respostas para esta indagação, a qual tanto me inquieta.

Considerando as pesquisas qualitativas mencionadas, afirmo que a polarização no Brasil está enfraquecida. Ela só está presente nas pesquisas de intenção de votos. Contudo, se essa minha assertiva é verdadeira, por que Ratinho Júnior não conquista a segunda colocação nas pesquisas de intenção de votos?

Bolsonarismo e lulismo são fenômenos eleitorais intensos e que possuem eleitores cativos. Também reconheço, mais uma vez menciono as pesquisas qualitativas, que são milhões de votantes que estão cansados com a polarização e que um candidato alternativo ao presidente Lula e a Flávio Bolsonaro, tem chances de vencer o pleito eleitoral. Por outro lado, detecto mecanismos complexos na consciência do eleitor. Quais sejam: 1) Entre Lula e Bolsonaro, prefiro o primeiro ou o segundo. Neste caso, o menos ruim; 2) Só um Bolsonaro pode vencer o Lula. E só um Lula pode vencer um Bolsonaro.

Os dois mecanismos expostos têm o seguinte significado: O eleitor que prefere o nenhum dos dois à frente da presidência da República, não escolhe outro competidor, que não seja nem Lula e nem Bolsonaro, porque receia que a terceira via não vença nem Lula e nem Flávio Bolsonaro. Conclusão: O eleitor acredita que só um Bolsonaro pode derrotar Lula e só Lula pode derrotar um Bolsonaro. Por consequência, mantém a polarização e a eleição adquire o seguinte significado: “De quem eu tenho menos medo?”

Se a minha explicação exposta for comprovada, afirmo que a polarização no Brasil está enfraquecida. Ela não é predominante. O que é forte, neste momento, é o cansaço com a suposta polarização, ou seja, com o lulismo e o bolsonarismo. Na eleição vindoura a suposta polarização existirá pela razão de que parte do eleitorado crer que apenas Lula pode derrotar um Bolsonaro e só um Bolsonaro pode derrotar Lula. Diante deste raciocínio, a terceira via não tem viabilidade eleitoral. E quando terá? Quando o eleitor acreditar que ela poderá vencer Lula ou Bolsonaro.

Por Adriano Oliveira – Cientista político. Professor da UFPE. Colunista do O Povo.

 

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publicado 09/03/2026 - 09h47